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O começo de uma jornada


Café. 1940. Cândido Portinari

Certamente, a história do Brasil antecede a chegada dos portugueses ao que, por muito tempo, se chamou de Novo Mundo. O que hoje se denomina como Brasil, contava com a presença de diversas etnias e civilizações, essas plurais, diversas e multifacetadas, encontrou um novo capítulo de sua história com a chegada do homem branco a tais terras em 1500. Seguramente, não há um descobrimento, como por muito tempo se chamou a chegadas dos europeus a essas terras, ainda assim, desenvolveu-se um momento que revolvera essa terra com uma intensa história que nos marca até hoje. Um erro, decerto, é a compreensão defasada que produz uma narrativa tranquila de nosso país, onde a relação de senhores e escravizados, entre negros e indígenas, se faz de forma paternal e de protetorado, é encobrir uma seção de nossa história manchada de sangue e de dores ainda abertas. Vejamos bem, não somos diretamente responsáveis pelos erros de nossos ancestrais, mas colhemos seus lucros históricos, para o bem ou para o mal; neste ponto, se há lucro, haverá também um prejuízo, o que repercute ao longo de toda história nacional, até nossos dias. Não pensarmos isso, antes de prosseguirmos no início de nossa jornada que é integrada a esse contexto, é persistirmos alienados em nossas zonas sociais que, decerto, nos valem o prazer e o conforto.

Litografia de Victor Frond, 1858. Foto: Reprodução

Entre as cidades que aqui trataremos, essas ficam entre as regiões das Agulhas Negras e do Vale do Café. Essa última teve um intenso desenvolvimento no período imperial, entre 1822 a 1889, até a década de trinta do século XX, quando o país começa sua industrialização. O café, que foi o principal produto ao longo desse período, marca a história nacional, sendo para ela um de seus ciclos econômicos – o ciclo do café – devido à pujança de sua produção e exportação.


De origem africana, das altas terras da Etiópia, o café chega primeiramente à Guiana Francesa saindo do Jardim Botânico de Amsterdã. Por sua vez, a planta chegou ao Brasil através do contrabando feio pelo militar Francisco de Melo Palheta, isto no ano de 1727, momento em que ainda estava voltado para o consumo doméstico. No entanto, com a queda de outras produções nacional, como a cana-de-açúcar, o algodão e o cacau, fazendeiros incentivaram o desenvolvimento da produção, que logo decolou, isto porque países da Europa e Estados Unidos foram grandes compradores desse produto, contribuindo para torna-lo expoente nacional, para sua exportação e para desenvolvimento interno. Com uma produção inicial e sutil na região norte do país, sobretudo o Pará, será deslocada posteriormente para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, na região do Vale do Paraíba; logo depois, para o interior do estado de São Paulo e Paraná. Neste momento, o sudeste se tornara o principal centro econômico e politico brasileiro, provocando o desenvolvimento industrial e urbano, como da própria malha ferroviária, visto a necessidade de se escoar o material para o porto de Santos, no interior paulista. Ao longo desse processo centenário, a produção cafeeira fora feita pelas mãos de escravizados, indígenas e africanos, no entanto, com a proibição do tráfico de escravos, em 1850, e a abolição da escravatura, em 1888, a produção sofrera uma forte crise que, por seguinte, reverbera sobre a região do Vale do café. Devido a isso, ainda no final do século XIX, o Estado brasileiro financiara a vinda de imigrantes para o país, como uma tentativa de oferecer mão de obra, como também por motivos higienistas, isto é, como uma tentativa de embranquecimento da população.


Ainda hoje a região é marcada pelas riquezas desse período, com sua arquitetura preservada e belas paisagens, oferecendo aos moradores e visitantes a possibilidade de se conectar com esse passado. Uma delas é o Tour da Experiência, que permite aos turistas uma visita ao período imperial, com atividades temáticas e passeios que provocam a imersão no cenário, através da história, música, cultura e do sabor, além de inúmeras fazendas que permanecem preservadas, com ricos patrimônios histórico, artístico e cultural. No entanto, não podemos deixar de sublinhar dois pontos dessa história, pois devemos sempre nos valer do passado para a reflexão: a escravidão nessas terras e o desmatamento maciço da mata atlântica.


Fazenda Vista Alegre - Valença

Primeiramente consumido e produzido por árabes etíopes, diversas lendas envolvem o inicio de sua jornada, mas foi no Ocidente que sua difusão correra o globo. Hoje, o café é uma bebida típica brasileira, comumente consumida em todo território. Comum a toda manhã, mas também um produto de alto consumo. Cafeterias marcam todas as cidades, romantizada, é uma bebida de encontros amorosos, mas também casuais. Ao longo de sua história, como uma bebida oriental, fora demonizada pelos papas católicos, mas também batizada por eles. De todo modo, é uma das maiores e melhores bebidas que hoje consumimos.


O Brasil permanece como o principal produtor da bebida. Segundo dados da Embrapa, a produção, em 2020, chegara a 61,62 milhões de sacas de 60kg, 25% maior que o ano de 2019. Hoje, os principais estados na sua produção são, nesta ordem: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Rondônia, onde o primeiro colocado possui uma rentabilidade de 18,5 bilhões anualmente.


Fontes:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE CAFÉ. Abi, 2020. Disponível em: < https://www.abic.com.br>. Acesso em: nove de fev. de 2021.


EMPRESA BRASILERA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/>. Acesso em: 09 de fev. de 2021.


INTERNATIONAL COFFE ORGANIZATION. Ico, 2021. Disponível em:< http://www.ico.org/>. Acesso em: 09 de fev. 2021.


LIMA, Roberto Guimão de Souza. O ciclo do café vale-paraibano. Disponível em: <http://www.institutocidadeviva.org.br/inventarios/sistema/wpcontent/uploads/2008/06/ciclo-do-cafe_pg-13-a-39.pdf>. Acessado em: 20 de fev. 2021.


PORTAL VALE DO CAFÉ, 2021. Disponível em: < https://www.portalvaledocafe.com.br/fale_conosco.asp>. Acesso em: 09 de fev. 2021.


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