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O Baía do Tihuana nos concedeu uma super entrevista exclusiva para O Site. Confira!


 

OC: Como você definiria o Tihuana hoje, com tantas músicas que emplacaram nas paradas do país e que tem crescido cada vez mais.

Baía: Nós sempre tivemos em mente ser uma banda de carreira, desde o início queríamos e batalhamos para ser uma banda de muitos discos, queremos viver tocando e se possível nessa formação, única e original, até quando não conseguirmos mais. Foi por isso que sempre fizemos o que gostamos, nossos discos foram sempre diferentes, não há uma fórmula, um padrão a seguir. Depois do estouro do primeiro cd, o “Ilegal”, quando ganhamos disco de ouro e emplacamos 5 ou 6 hits nas rádios, poderíamos ter feito um segundo álbum parecido, repetindo fórmulas do primeiro, mas fizemos exatamente o contrário, o “A Vida Nos Ensina” é um disco bem diferente, tanto no texto como musicalmente. Vendeu bem menos que o primeiro, mas talvez por esse tipo de postura e de sinceridade perante o nosso trabalho é que estejamos aí até hoje...
 
OC: O filme “Tropa de Elite” incluiu a música de vocês em sua trilha sonora, uma música que se não me engano já existia a um tempo, não foi composta para o filme, estou certa? Esperavam um dia isto acontecer? O que significou isso para a carreira de vocês?
Baía: Sim, “Tropa de Elite” é uma música do nosso primeiro cd e foi a terceira música do Tihuana a ser executada nas rádios. Na época inclusive fizemos um clipe dela totalmente ao vivo, áudio e vídeo, que foi bastante executado nas emissoras de clipes. É claro que não esperávamos que essa música viesse a ser trilha de um filme e muito menos que viesse a dar título ao filme mais visto da história do cinema nacional. “Tropa de Elite” é um filmaço, um filme que dá orgulho do nosso cinema, um fenômeno que marcou época e o mais legal nessa história toda é que a música entrou na trilha porque o pessoal do BOPE usava a nossa música nos treinamentos e até nas operações, como usa até hoje. Ou seja, foi tudo muito verdadeiro e nada partiu da gente ou de uma gravadora, esse tipo de coisa quando acontece realmente dá muito orgulho do trabalho.
 
OC: Você tem um projeto solo, em que se apresenta na noite em São Paulo. Fale pra gente sobre isso.
Baía: Ah, nem é um projeto solo, é apenas um som que faço com alguns amigos músicos e de vez em quando coloco em algum bar pra chamar uma galera, beber e se divertir. Eu sou um cara muito eclético, ouço e gosto de muita coisa e de vez em quando é legal colocar isso em prática, tocar outros ritmos, tocar com músicos de outras formações, etc. Agora estou com um projeto de música eletrônica, live P.A., que quero colocar nas pistas quando for possível. É um projeto que une vertentes como progressive, electro, drum and bass, break beat, etc. DJ, percussão e guitarra, todo mundo tocando ao vivo, tudo na hora. Vamo ver se rola...
 
OC: Além de tudo, você agora também está produzindo bandas, dá para ver que a música está em seu sangue...rs...se não fosse músico, teria vocação para o que?
Baía: Eu estou engatinhando nessa coisa de produção, na verdade eu tenho um amigo que considero um excelente produtor, o Junior Meira, um cara fudido, inteligente, com um ouvido muito bom, que tem um ótimo estúdio e resolvi montar uma parceria com ele. Com a minha experiência com tantos anos no mercado musical com o Tihuana e a minha própria experiência e visão musical eu posso ajudar, tentar mostrar para bandas novas o que é fácil e difícil nesse meio, os caminhos que você deve seguir, etc. É mais por aí... Sobre vocação para outra coisa, eu seria um bom jornalista, meu pai foi um grande jornalista, tenho isso no sangue e gosto, inclusive fiz faculdade mas, graças a Deus, não consegui terminar. rs...
 
OC: Existe um show que ficou gravado em sua memória? Pode ser do Tihuana ou de algum artista que admira. Conte-nos o por que?
Baía: Do Tihuana com certeza o nosso show no Rock In Rio III, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. Foi inesquecível, a maior adrenalina que eu já senti na minha vida e sei que nunca sentirei igual. De outros artistas tem alguns shows que me marcaram muito, como o último do Raul Seixas, junto com meu ídolo Marcelo Nova, em Salvador, final dos anos 80, o do baterista Dave Weckl, de graça, na praia do Arpoador no Rio, em 94, o do Metallica no Pq. Antártica em 92, Slayer no Monstres Of Rock, no Pacaembu, em 95, Pantera em São Paulo em 92, Judas Priest, Megadeth e Testament em Detroit-USA em 91, entre outros. Foram muitos shows inesquecíveis...
 
OC: Como artista acha que ainda falta realizar algo?
Baía: Com certeza! Faltam ainda alguns discos com o Tihuana, inclusive um acústico que queremos fazer num futuro próximo. Quero tocar em algum projeto com o meu ídolo e mestre na percussão Laércio da Costa, fazer algo legal envolvendo música eletrônica, enfim, quero realizar ainda muita coisa na música.
 
OC: Como foi estar no palco pela primeira vez como um Tihuana?
Baía: Foi engraçado. No nosso primeiro show, chegamos no local e tava lá uma faixa: “Tihuana: o melhor do reggae e do axé”. Assim que subimos no palco o Egypcio teve que explicar: “-galera, reggae pode até ser mas o axé nós vamos ficar devendo...” Todo mundo caiu na risada. Foi bom pq de certa forma tirou logo a tensão da estréia.
 
OC: A vida na estrada é difícil, pois você fica longe da família, dos amigos, e a maior convivência cai mesmo na galera da banda e da produção. Sai um arranca-rabo vez ou outra? Do que mais sente falta?
Baía: Ah, com certeza, já saiu muita discussão, muita briga, mas de boa. No Tihuana tem um fator complicador que os cinco são muito participativos, os cinco, desde o início, sempre contribuíram efetivamente na criação musical o que é muito bom, mas dá uma confusão danada! Rs... Somos muito amigos, rola uma união e um respeito muito legal e por isso estamos juntos até hoje. Mas o pau come bastante. Rs... Sobre o que sinto falta na estrada, sinceramente, nem me sinto a vontade para reclamar. Não tenho filhos, minha família não mora em São Paulo, onde vivo... Sou muito feliz e muito grato por poder trabalhar com o que gosto e com o que sempre sonhei, não posso reclamar de nada não.
 
OC: Se pudesse escolher uma banda gringa para abrir o show, qual escolheria?
Baía: Eu gostaria de abrir o show do Damian Marley, o filho do “homem”, o melhor deles musicalmente na minha opinião.
 
OC: Deixe aqui um recado para os fãs do Tihuana.
Baía: Rapaziada, se o Tihuana está aí, completando 10 anos de carreira, cada vez mais firme e forte, vocês podem ter certeza que são os principais responsáveis por isso. Em vários momentos da nossa carreira, nesse mercado musical tão competitivo, muitas vezes raso, superficial, cruel e injusto, a nossa motivação e a nossa força pra continuar e superar os obstáculos vieram principalmente de saber que tem muita gente que gosta dessa banda e que o nosso som realmente tem um significado importante na vida de muitas dessas pessoas. Só tenho que agradecer e dizer pra vocês que vem muito mais por aí... Muro de concreto, ruim de derrubar! É NÓIX!!!
 
[foto]divulgação
[entrevista] Fernanda Menegasso
 
 

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